Mestre Livreiro na Feira do Rolo

Não teve estudo, mas é Mestre Livreiro na escola da vida

Natural de Vassouras, no interior do estado do Rio de Janeiro, ele vendia picolé pelas ruas. Já foi engraxate, trabalhou muitas vezes na casa dos outros cuidando de quintais, passarinhos e cachorros quando os proprietários saiam para viajar.

Até que numa dessas ocasiões, em 1991, veio para Bauru cuidar da casa de um dos seus conhecidos. Acabou ficando na cidade e arrumando trabalho como vendedor de cartelas de bingo.
Chegou arrumar emprego formal com registro em carteira, porém, com os anos de crise decorrente da era Collor (que congelou o dinheiro no país), caiu na informalidade novamente, voltando a fazer bicos aqui e ali.

Mestre livreiro, o Carioca da Banca
Jaloto, momento de descontração

Foi então que descobriu na Feira do Rolo uma saída para garantir a sua sobrevivência. E desde 1998, com o seu carisma nato, vem conquistando uma clientela que não o abandona e sempre se renova.

Também, não podia ser diferente. Aos seus fregueses, um vinhozinho servido na taça ou um gole daquela cachacinha da boa, às vezes alguns petiscos para beliscar, um presentinho em forma de lembrancinhas, coisas baratas como chaveiros, bottons, medalhinhas – brindes variados que são pequenos mimos que ele faz questão de distribuir.

Assim, ao longo dos anos, Jaloto vem atraindo um público diferenciado – eruditos e a intelectualidade da cidade, que costumam se reunir ao redor da sua banca para ver as novidades, trocar ideias sobre os assuntos do dia e os bastidores da notícia.

Pessoa de conversa fácil e sempre cordial, ele negocia seus livros e discos de maneira bem espontânea. Percebe-se que tudo é feito com muito prazer e gosto, numa aura de descontração que contagia a todos no seu entorno.

No seu visual alguns adereços se destacam, a exemplo do chapéu de lona no qual estão afixados uma série de bottons decorativos. Já no pescoço costuma ficar pendurada uma figa de madeira, peça que serve para energizar as pessoas e espantar o mal olhado do ambiente.

Ao notar que um sujeito chato ou “nóia” se aproxima da banca, ele não pensa duas vezes, segura a sua figa firmemente e emite um longo som jocoso da purificação: ziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

“Tenho que levar na brincadeira, porque assim mantenho um clima de contentamento ao redor da minha banca.”

Mestre Livreiro vende livros
Jaloto e sua buceta

E dessa maneira, o Mestre Livreiro é como uma espécie de personagem pitoresco de um livro que, a cada leitura, passa a ser comentado e indicado para outras pessoas.
Muitos vêm de Marília, Catanduva, Agudos, Botucatú, Jaú e, inclusive, da capital paulista para conhecê-lo e garimpar a sua coleção de livros e discos de vinil.

Nada vale mais que o sorriso de um amigo, poder agradá-lo com algo de sua procura não tem preço. Muito além da mera questão monetária, o que importa para Jaloto é o lado humano das relações construídas com a venda de seus livros e discos.

Referências:

AQUINO, Henrique Perazzi de. O Invisível Midiático-Social

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