Leitor brasileiro mal lê

O leitor brasileiro ainda lá no rodapé

Desinteresse pela leitura
Leitor brasileiro. Neura pela leitura

O fato é que todo esse desinteresse pela leitura deveria ser combatido ainda na infância, desde os primeiros anos de vida do indivíduo.

Mas na maioria das vezes, no ambiente familiar, as crianças não são estimuladas pelos pais. E ao chegarem na escola, elas acabam também encontrando professores mais preocupados com ensino da gramática do que propriamente com o da leitura em si.

Sem contar que, hoje em dia, mesmo fazendo uso das várias mídias existentes, as leituras geralmente são rápidas e pequenas, afirma Maria Luzineide Costa Ribeiro, mestre em literatura e professora do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UNB).

Baixa influência para a leitura
Fonte: Retratos da Leitura no Brasil 2016

De certo que a formação do leitor brasileiro é falha no país, e isso exige maior valorização dos professores, constantes incentivos por parte das escolas e das famílias, além de mais acesso a livros e bibliotecas. Estas, aliás, deveriam ser espaços de diálogos e não servir apenas como depósitos de livros, finaliza Ribeiro.

Mas, por outro lado, de que valeria aplicar todas as medidas citadas acima, se elas não puderem despertar o prazer e o encantamento pela leitura?

Bibliotecas não frequentadas por 66% das pessoas
Retratos da Leitura no Brasil 2016

Há de se lembrar que a grande maioria dos alunos utiliza a leitura de forma utilitarista. O interesse deles está nos resultados, nas boas notas, pouco se importando por aquela paixão despretensiosa pelos livros, constata Poulain (2012).

Para ser um leitor competente, é preciso tomar gosto pela leitura, livrando-se do dever de ler somente por uma obrigação enfadonha.

É claro que os livros ajudam a desenvolver aptidões linguísticas, mas, acima de tudo, eles servem para enriquecer a imaginação e o nosso interior, descortinando outras maneiras de se pensar e agir, de se ocupar e de viver.
Quando isso acontece, a criatividade fica mais aguçada e há um maior senso de julgamento e autocrítica.

Vencendo a “neura” de ler

Para o bom leitor, o topo da leitura
Topo é para os amantes

Se quisermos alcançar esse patamar de leitura, o primeiro passo é aprender a ser amantes dos livros. Para tanto, a aproximação com eles deve iniciar por etapas.

Ao invés de escolher logo um livro clássico, composto de inúmeras páginas, comece com aquele que o agrade, independente de qual seja o assunto. Qualquer tema já é válido para abrir as portas à leitura, recomendam Leite, Rio e Alves, do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada (CPDEC, 2013).

É importante também que você aproveite qualquer tempo ocioso do seu dia para ler: filas de banco, salas de espera em consultórios, dentro de ônibus, etc. A companhia de um livro fará com que o desconforto desses momentos seja minimizado.

Ainda de acordo com as orientações das autoras, deve-se estabelecer um horário para ler. Pode ser antes de dormir ou naqueles dez minutos que restam do almoço. Quando você ritualiza essa prática, mais facilmente ela se tornará parte da sua rotina.

Outra dica é não esquecer de tirar proveito daquilo que você lê. Isto é, reflita sobre o assunto abordado nas leituras, discorde ou concorde, converse com outras pessoas a respeito do seu ponto de vista, etc. Isso fará com que você coloque em prática o que foi lido, exercitando a sua argumentação e o seu vocabulário.

As autoras terminam dizendo que não existem fórmulas mágicas para se transformar num leitor assíduo. Mas que, com dedicação e perseverança, é possível ler rotineiramente por prazer e não por obrigação.
E para quem acha difícil atingir esse estado de entrega espontânea pelos livros e se tornar um verdadeiro leitor brasileiro, lembre-se:

Infelizes são aqueles que não leem, porque passam a ver o mundo com os olhos dos outros. Acreditam no que ouvem, uma vez que não constroem parâmetros próprios para analisar o mundo, a partir de diferentes perspectivas. Permanecem, lamentavelmente, atrelados ao físico, ao material, deixando de usar a capacidade que mais caracteriza o ser humano: a abstração.
Assim, sempre terão dificuldades de operar na ausência do objeto (BOZZA, 2008).

Referências:

BOZZA, Sandra. A leitura como mediadora da aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2008.
LEITE, Rosângela Curvo; RIO, Vívian; ALVES, Cláudia Tavares. Por que ler? Os benefícios da leitura. Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada (CPDEC, 2013).
POULAIN, M. Entretien. In: BESSARD-BANQUY, O. Les mutatios de la lecture. Bordeaux: Press Universitaires de Bordeaux, 2012, p. 218-248.
RETRATOS DA LEITURA NO BRASIL. 4ª Edição, 2016.

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