Devorador de livros no abandono das ruas

Esse devorador de livros poderia continuar nas drogas, a mendigar pelas ruas. Mas provavelmente já nem estaria mais vivo.

Livros, devorador, calçada

O Devorador de livros e a sua razão de viver

Esse jovem morador de rua sul-africano reconstruiu a sua história de drogado com a ajuda dos livros e da leitura.
Das agruras de uma vida sem perspectivas para o reconhecimento internacional de um trabalho social em prol de crianças carentes.

Philani Dladla nasceu na pequena cidade de Oshabeni, província rural de KwaZulu-Natal, na África do Sul. Viveu uma infância difícil, sendo criado pela mãe solteira após a morte do pai que, frequentemente, batia nele e nos seus dois irmãos mais novos.

Só quando completou doze anos de idade é que ganharia o primeiro presente de sua vida – um livro – entregue pelas mãos do Sr Joseph Castlyne, o empregador de sua mãe numa clínica de saúde para idosos.

O presente, no entanto, lhe foi dado sob uma condição desafiadora: a de que, se ele prometesse ler o livro e contasse a respeito do que tratava o seu conteúdo, Castlyne o presentearia com outros mais. O assunto da obra abordava a política durante os anos do Apartheid na África do Sul, um clássico da literatura africana cujo título era The Last White Parliament, do autor Van Zyl Stabbert.

Para um garoto novo, mal alfabetizado que não sabia ler e nem falar corretamente o inglês, o tema era complexo. Mesmo assim, ele resolveu encarar o desafio, pois queria impressionar Castlyne e mostrar que era capaz. Leu o livro devagar e muitas vezes, até que conseguiu terminá-lo.

Pouco tempo depois Castlyne veio a falecer, deixando para o jovem não apenas a sua coleção de 500 livros usados mas também a semente da leitura plantada no seu coração. Porém, o destino teria outros planos para Dladla e o desviaria por um caminho nefasto.

No ensino médio, o adolescente se envolveria com más companhias, começaria a fumar, a beber, e logo conheceria o mundo das drogas.

Tornou-se um rapaz problemático e, no ano de 2005, acabou sendo expulso da escola, por causa do seu comportamento hostil junto a outros estudantes da sua idade. Em certa ocasião, envolveu-se num incidente violento e foi esfaqueado no peito.
Passou a enfrentar também crises de depressão e tentou, várias vezes, cometer o suicídio. Desempregado e mal visto na sua cidade, em 2008, ele se muda para Joanesburgo, na busca de melhores condições de vida, levando consigo a sua coleção de livros usados.

Ponte Nelson Mandela

Ponte estaiada Nelson Mandela

Lá, conseguiu arrumar emprego de garçom num restaurante popular, depois, começou a trabalhar na área de saúde como cuidador de idosos, e até chegou a alugar o seu próprio apartamento. Acontece que a força da sua dependência química foi maior e, num momento de fraqueza, deixou-se levar novamente pelo vício das drogas.

Perdeu o trabalho, não teve como pagar o aluguel, e terminou indo parar nas ruas com algumas roupas e um saco de livros nas costas.

O seu local de moradia passou a ser debaixo da famosa ponte estaiada Nelson Mandela, junto com outras tantas pessoas desamparadas que também procuravam abrigo.

Páginas: 1 2

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *