livro Era das transições

Era das transições. Democracia perante os desafios da globalização

Era das transições, de Jürgen Habermas. Uma reunião de ensaios sobre a democracia perante os desafios da globalização. Muito pertinente para o dias atuais.

Democracia perante os desafios da globalização
R$ 70,00

Segundo o filósofo, seis motivos principais teriam dado origem à obra:

A transferência da sede do governo alemão, de Bonn para Berlim;

A construção do monumento aos judeus assassinados pelos nazistas;

As formas simbólicas que exprimem a autocompreensão nacional;

As raízes religiosas da consciência moderna;

A passagem do mercado comum europeu para um sistema mais amplo;

E as possibilidades e aporias resultantes da transição de uma política do poder, clássica, para uma sociedade cosmopolita, ou seja, para uma política interna mundial desprovida de um governo mundial.

Era das transições de Jürgen Habermas

Tradução: Flávio Beno Siebeneichler
Livro de segunda mão, conservado e sem rasuras
Ano: 2003. Editora Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro. 222 páginas

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Porém, a essência desse livro é mesmo aquilo que está por trás dos motivos citados acima, questões típicas de Habermas que se constituem no pano de fundo da obra como:

  • A questão dos direitos humanos;
  • A compreensão dinâmica do processo democrático;
  • A ampliação da esfera de influência das sociedades democráticas para além das fronteiras nacionais;
  • E como lidar com a democracia perante os desafios da globalização.
A democracia perante os desafios da globalização

Em relação aos direitos humanos, por exemplo, é crescente a sua importância no sentido de orientação e diretriz moral para o agir político de países democráticos. Sobretudo, perante os problemas e riscos de sociedades atuais muito mais complexas e descentradas.

A problemática, porém, está em como fazer a interpretação correta dos direitos humanos num planeta cada vez mais desterritorializado. Dar valor ao reconhecimento recíproco e ao discursos intercultural tornar-se-ia fundamental.

É preciso estar ciente também de que o princípio dos direitos humanos e o da soberania popular não são complementares, frequentemente contrapondo-se um ao outro numa relação tensa e paradoxal.

Já a questão da compreensão dinâmica do processo democrático passa pela organização de uma sociedade justa e igualitária. Quer dizer, de uma política que inclua o outro e sua alteridade, ainda que esse outro seja o estranho, o diferente e o marginalizado.

E quando se fala em igualdade, não significa considerá-la apenas de pontos de vista cumulativos ou distributivos. Antes de mais nada, ela deve contribuir para a diversidade, para o ser-outro do outro.

Teoria do discurso, globalização
A democracia perante os desafios da globalização

Quanto à questão que toca na ampliação da esfera de influência das sociedades democráticas para além das fronteiras nacionais, tudo indica que ainda estamos distantes da ideia de polifonia, isto é, de compreensão e incorporação do outro dentro de uma postura humanitária global.

O que se observa é uma cultura da educação individualista que só faz crescer as diferenças. Além disso, permanece forte a consciência dos povos em torno de um estado politicamente organizado, a partir do qual se cria o conceito de nação. E isso muito se deve à oposição ao outro, à defesa de seu território contra os inimigos externos.

Basta verificar a leitura dos Hinos Nacionais que são entoados em altos brados. Eles representariam a mais pura constatação do fato supracitado.

No que se refere à última questão sobre a democracia perante os desafios da globalização, o ponto crucial estaria no modelo neoliberal que acarretaria o crescimento da injustiça social e da fragmentação da sociedade.

A ortodoxia neoliberal colocaria em risco o futuro da democracia, uma vez que subordinaria o Estado aos imperativos de uma integração no sistema econômico transnacional, levando em conta somente critérios de rentabilidade econômica.

Habermas propõe então uma política deliberativa “ofensiva” não orientada pela lógica de mercado.

Quer dizer, fazer uma política apoiada no princípio do discurso que consiga sustentar uma política interna voltada para o mundo.

Mas que esteja vinculada a processos democráticos de legitimação, embasados na formação racional e discursiva da opinião e da vontade de todos os cidadãos sem distinção, inclusive o estrangeiro.

Jürgen Habermas, filósofo
Jürgen Habermas

Filósofo e sociólogo alemão dos mais respeitados na atualidade, Jürgen Habermas é reconhecido internacionalmente como o principal representante da chamada “segunda geração da Escola de Frankfurt”.

Destacou-se na busca pelo desenvolvimento de uma teoria crítica da sociedade que fugisse da dialética negativa de seus antecessores e que culminasse num projeto emancipatório.

O foco do seu pensamento está numa teoria comunicativa como saída para a reconstrução da moralidade e da legitimação do direito. Para tanto, valoriza o papel da razão e também da opinião pública, esta vista como a fonte comunicacional da razão.

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